Projeção da Conab mostra que a produção de etanol hidratado de milho pode mais que dobrar na safra 2026/2027, enquanto a moagem de cana permanece próxima da estabilidade
A produção goiana de etanol de milho deve alcançar aproximadamente 1,17 bilhão de litros na safra 2026/2027, crescimento de 50,6% em relação aos 782,5 milhões de litros estimados para o ciclo anterior. Os números fazem parte do segundo levantamento da safra de cana-de-açúcar e de seus subprodutos divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e foram detalhados pelo Sistema Faeg/Senar.
O avanço projetado é puxado pelo etanol hidratado de milho, cuja produção deve passar de 361,4 milhões para 758,6 milhões de litros. A variação estimada é de 109,9%.
Já o etanol anidro de milho deve permanecer praticamente estável. A projeção recua de 421,1 milhões para 420,1 milhões de litros, diferença de 0,2%.
O etanol hidratado é comercializado diretamente como combustível. O anidro é usado na mistura obrigatória com a gasolina. A separação é importante porque o aumento da produção total não ocorre de maneira uniforme entre as duas modalidades.
Todos os valores são estimativas para a safra 2026/2027. Não representam, isoladamente, produção já realizada, capacidade industrial integralmente instalada ou garantia de que o volume será confirmado ao final do ciclo.
Cana recua 0,6%, mas mantém grande escala em Goiás
Goiás deve processar 79,6 milhões de toneladas de cana-de-açúcar na safra 2026/2027, redução de 0,6% em comparação com o ciclo anterior. A área destinada à colheita está estimada em aproximadamente 1,02 milhão de hectares, queda de 0,9%, enquanto a produtividade média projetada é de 77,98 toneladas por hectare.
O comportamento da área ajuda a explicar a pequena retração na produção de cana. O cenário é diferente do observado nacionalmente: a Conab estima 705,2 milhões de toneladas no Brasil, alta de 4,7%, com crescimento de área e produtividade.
Na produção de açúcar, Goiás deve alcançar aproximadamente 3 milhões de toneladas e permanecer na terceira posição nacional, segundo a análise divulgada pelo Sistema Faeg/Senar.
Para o etanol derivado da cana, a projeção estadual é de 4,6 bilhões de litros, equivalentes a cerca de 15,4% da produção brasileira. O volume coloca Goiás na segunda posição nacional nesse segmento.
Cana ainda domina, mas milho cresce mais rapidamente
Em volume absoluto, o etanol de cana continua predominante no estado: 4,6 bilhões de litros projetados, diante de 1,17 bilhão de litros de etanol de milho.
O fato novo está na velocidade da expansão. Enquanto a produção de etanol de cana acompanha a grande escala já consolidada, o combustível derivado do milho avança 50,6% no estado. Dentro desse total, o hidratado de milho mais que dobra.
No Brasil, a Conab projeta 11,91 bilhões de litros de etanol de milho, crescimento de 17%. O etanol produzido a partir da cana pode atingir 29,98 bilhões de litros, aumento de 9,7%. Somadas as matérias-primas, a produção nacional de etanol está estimada em 41,88 bilhões de litros.
O que os números indicam para o Sudoeste Goiano
O levantamento da Conab apresenta dados estaduais e não detalha quanto do etanol de milho será produzido em cada município. Por isso, não é possível atribuir automaticamente os 1,17 bilhão de litros ao Sudoeste Goiano.
Ainda assim, a projeção merece atenção regional porque o Sudoeste concentra produção de milho, estruturas de armazenagem, transportadoras, cooperativas, prestadores de serviços e unidades agroindustriais. A expansão pode alterar a demanda industrial pelo cereal, a logística entre lavouras, silos e plantas de processamento e o mercado de coprodutos.
Entre os pontos que precisam ser acompanhados estão:
- cronograma de entrada ou ampliação das unidades industriais; - capacidade efetivamente instalada e utilizada; - origem do milho processado; - contratos e preços de fornecimento do cereal; - demanda por armazenagem e transporte; - produção de DDG, óleo e outros coprodutos; - uso de energia, água e infraestrutura logística.
O crescimento projetado também não significa valorização automática do milho ao produtor. Preços dependem de safra, disponibilidade regional, exportações, custos logísticos, contratos, concorrência entre compradores e condições do mercado nacional e internacional.
Estimativa deve ser acompanhada ao longo da safra
Os levantamentos da Conab são atualizados ao longo do ciclo. Área, produtividade, moagem e produção de subprodutos podem mudar conforme clima, operação das unidades, disponibilidade de matéria-prima e condições do mercado.
A leitura correta é que Goiás mantém uma cadeia sucroenergética de grande escala e, ao mesmo tempo, amplia rapidamente a participação do milho na produção de biocombustíveis. A confirmação dos 1,17 bilhão de litros dependerá do desempenho efetivo da safra e da indústria.
Fontes: Conab, 2º Levantamento da Safra de Cana-de-açúcar 2026/2027; Sistema Faeg/Senar.
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