O diesel passou a ocupar uma parcela maior no orçamento da soja e exige planejamento específico para a safra 2026/2027. Levantamento do Aegro Insights, elaborado a partir da análise de 507 mil notas fiscais de compra de combustível em propriedades rurais brasileiras, indica que a despesa por hectare aumentou 180,4% entre 2018 e 2025.

O crescimento foi superior à alta aproximada de 108% registrada no custo operacional total da lavoura no mesmo período. Em 2018, o gasto médio com diesel era de R$ 103,95 por hectare. Em 2025, chegou a R$ 291,45.

Na parcial de 2026, o preço médio pago nas fazendas alcançou R$ 6,56 por litro, ante R$ 3,50 em 2018. O aumento acumulado do preço foi de 87,5%.

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## Em Goiás, diesel equivale a 2,29 sacas

O levantamento aponta que, em Goiás, o combustível representa 5,55% do custo da soja, com despesa aproximada de R$ 291,90 por hectare. Convertido pela referência usada no estudo, o valor corresponde a 2,29 sacas por hectare.

O número facilita a leitura econômica: antes de remunerar capital, terra e risco, parte da produção já está comprometida apenas com o combustível necessário para as operações.

A participação real varia de uma propriedade para outra. Distância entre talhões, idade e potência das máquinas, manejo, número de pulverizações, transporte interno, manutenção, relevo e eficiência operacional alteram o consumo.

## Uma saca compra menos litros

Em 2018, uma saca de soja comprava 20,74 litros de diesel. Em 2026, passou a comprar 17,46 litros, o menor resultado da série analisada. A perda de poder de compra é de aproximadamente 15,8%.

O indicador não substitui o custo individual, mas mostra que a cotação da soja não acompanhou o combustível na mesma proporção. Para o produtor, isso exige projeção de caixa que considere preço, consumo e momento de compra.

## Contrato de fornecimento precisa ser claro

Compras antecipadas podem reduzir o risco de desabastecimento e oscilações durante as operações, mas o contrato deve esclarecer se o preço é fixo ou reajustável, qual índice será usado, quantidade mínima, cronograma de entrega, local, frete, forma de pagamento e penalidades.

Também é importante definir padrão de qualidade e procedimento para combustível fora da especificação. Produto contaminado ou inadequado pode causar falhas, perda de desempenho e danos aos equipamentos. Amostras, notas fiscais, laudos e registros de recebimento ajudam a esclarecer eventual problema.

Promessa comercial ou cotação informal não deve ser confundida com obrigação contratual completa. Volume, data, preço e condição de entrega precisam ficar documentados.

## Armazenamento exige controle

Manter diesel na propriedade demanda estrutura adequada, prevenção contra incêndios, controle de acesso, manutenção do tanque, inspeção de mangueiras, contenção e registros de entrada e consumo. As exigências concretas variam conforme capacidade, instalação, licenciamento e normas aplicáveis.

O produtor deve conferir a regularidade da estrutura com os responsáveis técnicos e os órgãos competentes, sem tratar um checklist genérico como autorização automática.

## Gestão começa pelo consumo real

O planejamento pode comparar litros por hectare e por operação, horas de máquina, consumo por equipamento, diferença entre volume comprado e abastecido e custo por talhão. Telemetria, manutenção preventiva, regulagem e redução de deslocamentos desnecessários ajudam a identificar desperdícios.

Para contratar o fornecimento da safra, o produtor pode montar cenários de preço e consumo. Uma pequena variação por litro, multiplicada pela área e pelo número de operações, pode alterar de forma relevante a margem.

## Checklist para a safra

Antes de fechar a compra, confira fornecedor, preço ou fórmula de reajuste, volume, datas, frete, qualidade, nota fiscal, pagamento, penalidades e procedimento para recusa. Internamente, registre estoque, abastecimento por máquina, horas trabalhadas, consumo por hectare e manutenção.

O dado de 2,29 sacas por hectare em Goiás é uma referência estadual do levantamento, não uma conta pronta para todas as propriedades. A decisão segura começa pela própria planilha: litros efetivamente consumidos, preço contratado, produtividade esperada e valor líquido da soja.

Nota editorial: conteúdo informativo. Custos e exigências de armazenamento variam conforme a operação e a estrutura de cada propriedade.

Reportagem em acompanhamentoEsta publicação poderá ser atualizada conforme a apuração avançar.