O avanço da colheita do milho de segunda safra expôs uma diferença importante entre os municípios do Sudoeste Goiano. Em entrevista publicada nesta sexta-feira (28), o gerente de armazéns de grãos da Comiva, Nilson Siqueira Pereira, estimou perdas de 20% a 30% em Mineiros e Portelândia e de 40% a 50% em Doverlândia e Caiapônia.

Segundo o relato, aproximadamente 95% da área já havia sido colhida. Em Mineiros e Portelândia, a produtividade ficou em torno de 120 sacas por hectare, abaixo das 140 a 150 sacas observadas na safra anterior. As estimativas, porém, não podem ser transferidas automaticamente para todas as fazendas: época de plantio, chuva, solo, híbrido e manejo produzem resultados diferentes até dentro do mesmo município.

## Armazéns receberam menos grãos

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A unidade da Comiva na região possui capacidade estática próxima de 90 mil toneladas, o equivalente a 1,5 milhão de sacas. Até a data da entrevista, havia recebido cerca de 60 mil toneladas — aproximadamente 1 milhão de sacas — e ainda mantinha de 30% a 40% da capacidade livre.

O indicador mais expressivo é o fluxo de entrada: a cooperativa informou que o recebimento estava cerca de 50% abaixo do registrado no ano passado. O dado traduz o efeito da quebra sobre armazenagem, frete, comercialização e giro de caixa, mas não significa, isoladamente, que toda a produção regional caiu na mesma proporção.

A Comiva também relatou retração nas operações de barter, nas quais insumos são adquiridos com compromisso de entrega futura de grãos. Ainda assim, a cooperativa mantém a meta de comercializar entre 10 milhões e 12 milhões de sacas até o fim do ano e recordou investimentos de R$ 10 milhões a R$ 15 milhões em estruturas de armazenagem realizados em 2024.

## O que o produtor deve revisar

Quando a colheita não alcança o volume planejado, o primeiro passo é separar três situações: perda física da lavoura, compromisso de entrega já assumido e capacidade financeira para pagar as demais obrigações. Elas se relacionam, mas não produzem automaticamente o mesmo efeito jurídico.

Contratos de barter, CPR, venda antecipada e financiamentos podem conter regras diferentes sobre quantidade, qualidade, prazo, garantias, tolerância, força maior e renegociação. A quebra regional divulgada por uma cooperativa ajuda a contextualizar o problema, porém não substitui a demonstração do que ocorreu em cada propriedade.

Por isso, é recomendável reunir laudos agronômicos, mapas dos talhões, fotografias georreferenciadas, notas fiscais de insumos, romaneios, pesagens, produtividade efetiva, contratos e comunicações feitas ao credor ou comprador. O fluxo de caixa atualizado e um cronograma realista de pagamento também são essenciais em qualquer pedido de renegociação.

Se houver risco de não cumprir entrega ou vencimento, a comunicação deve ser feita por escrito e antes do prazo sempre que possível. A demora pode agravar multas, encargos, execução de garantias e dificuldade de construir uma solução consensual.

Nota editorial: Os percentuais e volumes atribuídos à região foram informados pelo gerente de armazéns da Comiva em entrevista ao Rio Verde Rural. Não constituem levantamento oficial de produtividade de todos os produtores nem recomendação jurídica individual.

Reportagem em acompanhamentoEsta publicação poderá ser atualizada conforme a apuração avançar.