O agronegócio reuniu 1.075.281 pessoas ocupadas em Goiás no primeiro trimestre de 2026, o equivalente a 28% de toda a população ocupada no estado. Apesar do peso econômico, o setor perdeu 11.310 postos em comparação com o mesmo período de 2025, queda de 1%.

Os dados integram boletim do Instituto Mauro Borges de Pesquisa e Política Econômica, disponibilizado no fim de agosto. O levantamento revela movimentos diferentes dentro da mesma cadeia: a renda média real cresceu com força, a ocupação recuou e a agroindústria avançou enquanto os segmentos primário e de serviços diminuíram.

Rendimento médio cresceu R$ 947,24

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O rendimento médio mensal real do trabalho no agronegócio goiano chegou a R$ 5.562,92 no primeiro trimestre. O valor supera em R$ 947,24 o registrado no mesmo período de 2025 e representa alta de 20,5%.

Esse número não significa que todos os trabalhadores receberam aumento de 20,5%. Trata-se de uma média estatística, influenciada pela composição das ocupações, pelos salários de diferentes atividades, pelas horas trabalhadas e pelas mudanças entre formalidade e informalidade. Uma redução maior em postos de menor remuneração, por exemplo, pode elevar a média mesmo sem aumento uniforme para todos.

Também não se trata de piso salarial. Direitos, remuneração e reajustes continuam dependendo da função, do contrato, da convenção coletiva aplicável e da legislação.

Emprego formal avança; informalidade recua

O boletim estima 611.652 trabalhadores formais no agro de Goiás, aumento de 5.943 pessoas, ou 1%, em um ano. O número de ocupados informais foi estimado em 463.630, queda de 17.252 pessoas, equivalente a 3,6%.

A combinação merece análise. O crescimento da formalização é positivo, mas não foi suficiente para compensar a redução total da ocupação. Empresas e produtores devem observar não apenas a quantidade de vagas, mas a capacidade de atrair, qualificar e reter profissionais em funções cada vez mais técnicas.

No Sudoeste Goiano, a disputa por operadores de máquinas, mecânicos, eletricistas, técnicos agrícolas, profissionais de armazenamento, logística e gestão costuma ocorrer ao mesmo tempo em que a safra impõe jornadas concentradas. Planejamento de escala, treinamento, alojamento quando necessário, segurança e clareza contratual reduzem riscos operacionais e trabalhistas.

Agroindústria foi o único segmento em alta

A distribuição do emprego mostra três movimentos principais:

• serviços ligados ao agronegócio: 441.207 ocupados, queda de 12.296 pessoas, ou 2,7%;

• segmento primário: 256.959 ocupados, redução de 6.751 pessoas, ou 2,6%;

• agroindústria: 216.524 ocupados, aumento de 8.055 pessoas, ou 3,9%.

Entre os grandes componentes analisados, a agroindústria foi o único com crescimento no período. O resultado sugere expansão relativa das atividades de transformação, processamento e integração industrial, embora o boletim não autorize concluir, isoladamente, que todas as cadeias ou regiões cresceram na mesma proporção.

O dado é relevante para municípios com forte presença de grãos, proteína animal, etanol, alimentos e armazenagem. Oportunidades industriais podem exigir perfis diferentes daqueles demandados diretamente na lavoura, ampliando a importância de capacitação técnica e atualização profissional.

Mulheres perderam mais postos

O levantamento estima 379.265 mulheres ocupadas no agronegócio goiano, redução de 8.828 vagas, ou 2,3%. Entre os homens, o total ficou em 696.016, com queda de 2.481 postos, ou 0,4%.

Assim, embora representassem pouco mais de um terço da ocupação do setor, as mulheres responderam pela maior parte da redução líquida observada no período. A diferença pode orientar empresas, cooperativas e entidades de formação na avaliação de recrutamento, permanência, qualificação e acesso a funções técnicas e de liderança.

Como empresas e trabalhadores devem ler os números

O painel não deve ser reduzido à frase “o salário subiu”. Para o empregador, a leitura útil combina custo, produtividade, rotatividade, qualificação e regularidade dos vínculos. Para o trabalhador, importa verificar função registrada, jornada, adicionais, equipamentos de proteção, remuneração variável e regras coletivas.

As comparações do boletim utilizam dados da Pnad Contínua e incorporam atualização dos pesos populacionais baseada no Censo de 2022. Por isso, o documento deve ser lido como retrato estatístico do mercado, e não como promessa individual de renda ou vaga.

O resultado final é misto: o agro permanece responsável por mais de uma em cada quatro ocupações de Goiás e apresenta renda média maior, mas encerrou o primeiro trimestre com menos pessoas trabalhando. A expansão da agroindústria e da formalização não elimina o desafio de recompor postos, qualificar mão de obra e ampliar oportunidades em toda a cadeia.

Fonte principal: Instituto Mauro Borges, Boletim Mercado de Trabalho do Agronegócio Goiano, primeiro trimestre de 2026.

Reportagem em acompanhamentoEsta publicação poderá ser atualizada conforme a apuração avançar.