O número de ocorrências de ferrugem asiática da soja subiu de 124 na safra 2024/2025 para 379 na temporada 2025/2026. O avanço equivale a aproximadamente 206%, ou pouco mais de três vezes o total do ciclo anterior.

Goiás aparece com oito registros no levantamento nacional. O dado exige vigilância, mas não significa que oito municípios inteiros ou uma área determinada tenham sido perdidos. Cada notificação corresponde a uma ocorrência informada e validada dentro do sistema de monitoramento; não mede, sozinha, hectares afetados, intensidade da doença ou prejuízo econômico.

A ferrugem asiática, causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi, pode provocar desfolha precoce e perdas relevantes quando encontra plantas suscetíveis, umidade e temperatura favoráveis. O risco aumenta quando plantas voluntárias ou cultivos fora de época mantêm o fungo vivo entre uma safra e outra.

ALERTAS DO SUDOESTE

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Goiás permanece em vazio sanitário até 24 de setembro

No estado, o vazio sanitário da soja começou em 27 de junho e segue até 24 de setembro de 2026. Durante o período, não pode haver plantas vivas de soja nas condições abrangidas pela regra, inclusive tigueras que possam servir de hospedeiras.

A janela estadual de semeadura começa em 25 de setembro de 2026 e vai até 2 de janeiro de 2027. A abertura do calendário, porém, não é uma recomendação automática para plantar na primeira chuva.

O produtor precisa conferir o Zoneamento Agrícola de Risco Climático aplicável ao município, ao tipo de solo, ao grupo de maturação e à cultivar. Também deve avaliar umidade efetiva no perfil, previsão meteorológica, capacidade operacional e risco de replantio.

Calendário fitossanitário e Zarc cumprem funções diferentes. O primeiro reduz a ponte verde e organiza o período de cultivo; o segundo orienta as épocas de menor risco climático para fins de política agrícola e cobertura de determinados programas. Estar dentro de um deles não dispensa o outro.

Monitoramento começa antes da emergência da lavoura

Eliminar plantas voluntárias no vazio sanitário é uma das medidas centrais para reduzir inóculo. A vistoria deve alcançar carreadores, bordas, áreas sob pivô, pátios, locais de descarga e margens de armazéns, onde grãos perdidos podem originar soja espontânea.

Depois da semeadura, o manejo exige acompanhamento frequente, atenção aos alertas regionais e identificação correta dos sintomas. A decisão sobre fungicidas deve considerar recomendação agronômica, produtos registrados, rotação de mecanismos de ação e condições de aplicação.

Ensaios cooperativos coordenados pela Embrapa ajudam a comparar eficiência, mas não substituem diagnóstico na área. Aplicação calendarizada sem observar pressão da doença, estádio, clima e histórico pode aumentar custo e favorecer perda de sensibilidade do patógeno.

Registro não é sinônimo de área perdida

O salto para 379 ocorrências é um alerta epidemiológico. Ele mostra maior presença registrada da doença, não uma estimativa de perda nacional. Comparações entre safras também podem ser influenciadas por intensidade de monitoramento e quantidade de notificações.

Para documentar o manejo, o produtor deve preservar receituários, notas fiscais, mapas de aplicação, registros de vistoria, imagens georreferenciadas e comunicações do responsável técnico. Esses elementos ajudam a avaliar eficiência, ajustar o programa e demonstrar as decisões tomadas em eventual discussão de seguro, crédito ou prestação de serviço.

Em Goiás, a reta final do vazio sanitário é o momento de revisar áreas, retirar tigueras, calibrar equipamentos e alinhar o plano com assistência técnica. O primeiro passo da próxima safra acontece antes de a semeadora entrar no talhão.

Nota editorial: as ocorrências representam notificações de focos e não equivalem a hectares afetados ou perdas econômicas.

Reportagem em acompanhamentoEsta publicação poderá ser atualizada conforme a apuração avançar.