Goiás avança como nova fronteira da citricultura brasileira. A projeção estadual indica safra recorde de 199,7 mil toneladas de laranja em 2026, crescimento de 9,8% em relação ao ciclo anterior e oitava posição entre os maiores produtores do país.

O aumento de volume, porém, convive com uma estimativa de queda no valor gerado pela atividade. Dados da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Goiás apontam Valor Bruto da Produção (VBP) de R$ 513,4 milhões em 2024, R$ 396 milhões em 2025 e R$ 268,1 milhões projetados para 2026.

Entre 2025 e 2026, a redução calculada a partir desses valores é de aproximadamente 32,3%. O VBP representa uma estimativa do valor da produção “dentro da porteira”, formada por preço e quantidade. Não corresponde ao lucro do produtor e não desconta custo de implantação, irrigação, energia, mão de obra, defensivos, colheita, financiamento ou tributos.

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Preço da caixa mudou o cenário

Levantamento divulgado pelo Sistema Faeg/Senar registra que a caixa de laranja, cuja média anual citada para 2024 foi de R$ 99,69, esteve na faixa de R$ 35 a R$ 45 no primeiro semestre de 2026. A comparação ajuda a explicar como uma colheita maior pode produzir faturamento agregado menor.

O preço efetivo de cada produtor depende do destino da fruta, do padrão de qualidade, da região, do calendário de colheita, do contrato e do poder de negociação. Venda ao mercado fresco e fornecimento para a indústria possuem lógicas distintas de classificação, entrega e remuneração.

Para quem avalia entrar na atividade, o número recorde não deve substituir o estudo econômico do pomar. Citros são cultura de ciclo longo: há investimento antes da plena produção, e o retorno depende de mercado, sanidade, água, mão de obra e capacidade de permanecer na atividade durante oscilações de preço.

Greening exige atenção permanente

O avanço do greening, também chamado de HLB, em regiões tradicionais de São Paulo e Minas Gerais aparece como um dos fatores que abrem espaço para novas áreas. Ao mesmo tempo, a doença constitui risco central para qualquer projeto citrícola.

A Agrodefesa informa que o greening não tem cura e pode reduzir produtividade e qualidade dos frutos. Prevenção, uso de mudas regulares, inspeção do pomar, controle do inseto vetor e eliminação de plantas contaminadas são medidas relevantes. O produtor deve observar as regras sanitárias aplicáveis e manter registros das inspeções e providências tomadas.

Contrato precisa refletir o destino da fruta

Antes de plantar ou ampliar, é importante definir quem comprará a produção e como o preço será formado. O contrato deve tratar, entre outros pontos, de:

- volume e calendário de entrega; - padrão de qualidade e método de classificação; - preço fixo, fórmula ou referência utilizada; - descontos e tolerâncias; - responsabilidade por colheita e transporte; - rejeição de carga e destinação do produto; - prazo de pagamento; - eventos sanitários e climáticos; - garantias e consequências do descumprimento.

A citricultura pode ampliar a diversificação agrícola de Goiás, mas a decisão não deve se apoiar apenas na expansão da área ou na crise de outras regiões. Safra recorde mede volume. Resultado exige preço, produtividade, sanidade e custo compatíveis ao longo de vários anos.

Reportagem em acompanhamentoEsta publicação poderá ser atualizada conforme a apuração avançar.