A proximidade da abertura do calendário da soja em Goiás não elimina o risco de plantar antes da estabilização das chuvas. Estudo divulgado pela Embrapa nesta terça-feira, 8 de setembro, identificou perdas expressivas em anos de El Niño, mais severas quando a semeadura ocorreu no início da janela, nos meses de setembro e outubro.

Rio Verde está entre os quatro ambientes do Cerrado analisados. A pesquisa, ainda em fase de publicação, simulou o desempenho da cultivar BRS 8383IPRO com séries diárias de clima de 1975 a 2024. Também foram considerados Cuiabá, Planaltina e Barreiras, além de condições de manejo convencional e Sistema Plantio Direto.

O resultado é uma referência científica, não uma previsão de produtividade para cada propriedade. Solo, cultivar, palhada, relevo, chuva local, estrutura operacional e manejo continuam determinantes.

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Calendário permitido não é ordem para plantar

Em Goiás, o calendário estadual permite a presença de plântulas emergidas a partir de 25 de setembro e estabelece 2 de janeiro como data final de semeadura. O cadastro anual deve ser feito no Sidago até 17 de janeiro.

Essas datas cumprem função fitossanitária e precisam ser combinadas com o Zoneamento Agrícola de Risco Climático. O início do período permitido não comprova que já exista umidade suficiente para germinação uniforme nem que a temperatura do solo esteja adequada.

A Embrapa recomenda acompanhar a estabilização efetiva da estação chuvosa, os boletins meteorológicos regionais, a umidade e a temperatura do solo antes de iniciar a operação.

Risco passa da soja para o milho

O El Niño pode provocar irregularidade no começo das chuvas e veranicos durante o desenvolvimento e o enchimento de grãos. Se a soja é plantada cedo demais e apresenta falha de emergência, o produtor pode precisar replantar, aumentar o custo e atrasar o ciclo.

Se a decisão for esperar por chuva mais consistente, a semeadura e a colheita também podem avançar no calendário. O efeito chega à segunda safra: milho, sorgo ou algodão entram mais tarde e enfrentam janela menor antes da estação seca.

Não existe uma única data sem risco. A decisão precisa comparar a probabilidade de falha na soja com a perda de janela da cultura seguinte.

Quatro pilares de proteção

A Embrapa organiza a preparação em quatro frentes. A primeira é consolidar o Sistema Plantio Direto, preservando palhada, infiltração de água e menor evaporação. A segunda é escalonar a semeadura e combinar cultivares de ciclos diferentes, evitando concentrar toda a área em uma única data.

A terceira frente é o monitoramento integrado de pragas e doenças, porque calor e períodos secos podem favorecer populações de insetos. A quarta associa gestão financeira, seguro agrícola, cumprimento do ZARC e proteção de preços.

Documentação também protege

Quando houver seguro, Proagro ou crédito rural, a decisão técnica deve deixar registros contemporâneos. É recomendável guardar boletins meteorológicos, medições de chuva, fotografias georreferenciadas, recomendação agronômica, notas de sementes e insumos, mapas dos talhões e registros da emergência.

Antes de replantar ou alterar cultivar, talhão ou cronograma, o produtor deve verificar a apólice e comunicar a instituição financeira ou seguradora pelos canais previstos. Falha de emergência ou atraso climático não gera indenização automática.

A conclusão prática é simples: 25 de setembro é a abertura do calendário, não um comando para ligar a plantadeira. Em ano de maior risco climático, o momento adequado depende de água no solo, ZARC, manejo e capacidade de absorver eventual replantio.

Reportagem em acompanhamentoEsta publicação poderá ser atualizada conforme a apuração avançar.