A confirmação laboratorial de raiva em um equino acendeu o alerta sanitário no Sudoeste Goiano. O foco foi identificado em uma propriedade localizada a aproximadamente 20 quilômetros de Santa Helena de Goiás, onde outros seis cavalos morreram depois de apresentar sinais semelhantes.
A informação exige uma correção importante em relação a manchetes mais amplas: sete equinos morreram, mas somente um caso foi confirmado em laboratório. Os outros seis permanecem como suspeitas, pois não foi possível coletar material biológico adequado para confirmar a causa das mortes.
A distinção protege a precisão da informação e não reduz a gravidade do episódio. A raiva é uma doença fatal, pode atingir diferentes espécies e representa risco também para pessoas expostas à saliva ou a secreções de animais infectados.
Sintoma neurológico precisa ser notificado
A Instrução Normativa nº 1/2025 da Agrodefesa determina que qualquer animal suscetível à raiva que apresente sintomas neurológicos em Goiás seja comunicado ao serviço oficial.
Entre os sinais que merecem atenção estão alteração de comportamento, dificuldade para caminhar, falta de coordenação, tremores, dificuldade para engolir e paralisia. A presença de um ou mais desses sintomas não confirma raiva, mas exige afastamento e avaliação profissional.
O produtor e os trabalhadores não devem tentar segurar, medicar ou transportar por conta própria o animal suspeito. Também é necessário evitar contato com saliva, feridas e mucosas. O serviço veterinário oficial deverá orientar o isolamento e os procedimentos de investigação e coleta.
A vacinação continua recomendada em Goiás
Desde julho de 2025, a vacinação contra a raiva deixou de ser obrigatória de forma geral no estado. A norma, porém, torna a imunização obrigatória nas propriedades classificadas como foco depois da confirmação laboratorial.
As propriedades situadas em um raio de até 12 quilômetros do foco formam a chamada área perifocal. Nela, a Agrodefesa realiza vigilância clínica e epidemiológica e recomenda a vacinação.
A norma estadual também recomenda a vacinação anual de bovinos, bubalinos, equinos, muares, asininos, caprinos e ovinos em Goiás. Para animais que recebem a primeira dose, é recomendado reforço entre 21 e 30 dias.
Nota fiscal, lote da vacina, data de aplicação e identificação dos animais devem ser preservados. Esses registros ajudam no controle sanitário, na comprovação de medidas preventivas e na apuração de eventuais perdas.
Morcegos não devem ser combatidos pelo produtor
O morcego hematófago Desmodus rotundus é um dos principais transmissores da raiva dos herbívoros. A norma atribui exclusivamente ao Serviço Veterinário Estadual o cadastro e monitoramento de abrigos e o controle populacional desses morcegos.
O produtor deve comunicar ataques em animais e a existência de possíveis abrigos. Capturar, manipular ou aplicar produtos por conta própria aumenta o risco sanitário e pode atingir espécies de morcegos que desempenham funções ambientais importantes.
Pessoas expostas também precisam de atendimento
Quem teve contato com saliva, mordida, arranhadura ou secreções de animal confirmado ou suspeito deve procurar imediatamente o serviço de saúde e relatar com clareza a forma da exposição. A definição de vacina ou soro antirrábico humano cabe à equipe de saúde.
É útil elaborar uma lista das pessoas que tiveram contato com o animal, com datas e circunstâncias. Isso facilita a avaliação individual e reduz o risco de alguém exposto permanecer sem orientação.
Cautela, prevenção e prova
O episódio não autoriza afirmar que existem sete casos confirmados nem que toda a região está contaminada. A resposta adequada combina vigilância, notificação, vacinação orientada e proteção das pessoas.
Na propriedade, cuidar da sanidade também significa cuidar dos registros: identificação dos animais, movimentações, notas fiscais, vacinações, protocolos de comunicação e laudos devem formar uma trilha documental contemporânea aos fatos.
SUDOESTE EM CAMPO