O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) reduziu nesta sexta-feira, 11 de setembro, sua estimativa para a produção norte-americana de milho na safra 2026/2027. O novo relatório mundial de oferta e demanda, o WASDE, calcula uma colheita de 15,8 bilhões de bushels, 213 milhões abaixo da projeção de agosto.
A revisão ocorreu principalmente porque a produtividade esperada caiu 2,2 bushels por acre, para 178,5. O órgão também reduziu os estoques finais dos Estados Unidos em 86 milhões de bushels, para aproximadamente 1,57 bilhão, e elevou em US$ 0,30 o preço médio recebido pelo produtor norte-americano, agora estimado em US$ 4,80 por bushel.
Na soja, o movimento foi diferente. O USDA elevou a produção dos Estados Unidos em 16 milhões de bushels, para cerca de 4,5 bilhões, aumentou a projeção de exportações para 1,69 bilhão e reduziu os estoques finais para 310 milhões. O preço médio projetado subiu US$ 0,60 e chegou a US$ 12 por bushel.
Esses números influenciam as bolsas internacionais, mas não permitem afirmar quanto o produtor receberá em Rio Verde, Jataí ou outro município goiano. A cotação local resulta de uma combinação entre contratos futuros, câmbio, prêmio ou desconto regional, frete, armazenagem, qualidade, prazo e ponto de entrega.
O próprio relatório também reduziu a previsão de exportação brasileira de milho diante da maior utilização doméstica do cereal na produção de etanol. Para Goiás, onde a indústria de etanol de milho ganhou espaço, esse componente ajuda a explicar por que a formação do preço regional pode se afastar do movimento observado nos Estados Unidos.
O produtor que possui contrato com preço a fixar precisa conferir qual bolsa, vencimento, câmbio e fórmula de base foram definidos. Também deve observar prazo para fixação, possibilidade de prorrogação, descontos de qualidade e consequências caso a quantidade contratada não seja entregue.
Uma alta momentânea em Chicago não altera automaticamente contratos já fixados. Da mesma forma, redução da safra norte-americana não garante valorização contínua no mercado físico goiano. O WASDE é uma referência importante, mas deve ser analisado junto com a realidade da propriedade e a liquidação efetivamente oferecida pelo comprador.
Antes de decidir, a comparação correta não é apenas entre cotações nominais. É preciso calcular o valor líquido por saca depois de frete, descontos, armazenagem, tributos eventualmente incidentes e obrigações já assumidas sobre a produção.
SUDOESTE EM CAMPO