O preço da cesta básica diminuiu em 25 das 27 capitais brasileiras em agosto, segundo pesquisa divulgada pela Companhia Nacional de Abastecimento e pelo Dieese em 10 de setembro. Em Goiânia, um dos movimentos mais expressivos ocorreu no feijão-carioca.
O produto ficou 15,47% mais barato na capital goiana durante o mês. De acordo com o levantamento, o avanço da colheita da terceira safra aumentou a oferta e contribuiu para a queda das cotações em diversas capitais.
A redução mensal, entretanto, não significa que o custo dos alimentos esteja baixo. No acumulado dos últimos 12 meses, a cesta básica de Goiânia subiu 7,51%, a maior alta registrada entre as capitais acompanhadas no período.
A pesquisa mostra outros movimentos distintos. Café em pó e tomate recuaram em mais de 80% das capitais, enquanto arroz agulhinha e leite integral ficaram mais caros em 23 cidades. Pão francês e óleo de soja registraram aumento em 18 capitais.
Essas diferenças ajudam a mostrar por que não existe uma única cotação capaz de representar toda a cadeia. O preço recebido pelo produtor, a negociação no atacado e o valor encontrado pelo consumidor no varejo são formados em momentos e condições diferentes.
No caso do feijão, entram nessa conta a disponibilidade regional, qualidade, tipo e cor do grão, armazenamento, frete, perdas, empacotamento, tributos, prazo de pagamento e margem de cada intermediário.
Por isso, uma queda de 15,47% no varejo de Goiânia não permite concluir, isoladamente, que o produtor recebeu o mesmo percentual a menos. Também não comprova aumento de margem do supermercado ou queda equivalente no atacado. Para essas conclusões, seria necessário comparar séries e contratos de cada etapa.
Para produtores que negociam a terceira safra, é importante conferir padrão de qualidade, classificação, descontos, umidade, impurezas, local de entrega, prazo de pagamento e validade da cotação. O valor líquido pode mudar significativamente depois desses ajustes.
A notícia é positiva para o consumidor no mês, mas o acumulado anual permanece como alerta. Mesmo com quedas recentes, o conjunto dos alimentos básicos em Goiânia ainda custa mais do que há um ano.
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