As chuvas registradas fora do período habitual, combinadas com temperaturas elevadas, aumentaram o risco de proliferação do mosquito Aedes aegypti em Goiás. O alerta foi divulgado pela Secretaria de Estado da Saúde em 10 de setembro.
Além das condições climáticas, a vigilância laboratorial identificou mudança no perfil do vírus da dengue. O sorotipo DENV-3 passou a representar 53,8% das amostras positivas analisadas em 2026. O DENV-2 respondeu por 45,8%.
Esse percentual precisa ser lido corretamente. Os 53,8% não correspondem a todos os casos de dengue do estado. Trata-se da participação do DENV-3 entre as amostras positivas examinadas pelo Laboratório Estadual de Saúde Pública Dr. Giovanni Cysneiros.
A mudança preocupa porque parte da população pode ter desenvolvido imunidade aos sorotipos que circularam com maior frequência nos últimos anos, mas não necessariamente ao DENV-3. Isso pode ampliar o número de pessoas suscetíveis à infecção.
Segundo a SES-GO, o estado contabiliza 158.461 notificações e 103.213 casos confirmados de dengue em 2026, quantidade 16% superior à registrada no mesmo período do ano anterior. Foram confirmadas 81 mortes, enquanto outras 31 permanecem sob investigação.
A chikungunya também apresentou crescimento. Goiás soma 11.223 casos confirmados, alta de 356% em relação ao mesmo período de 2025, e cinco mortes confirmadas.
Nas propriedades rurais, a prevenção exige atenção a pontos que podem acumular água. Bebedouros de animais, tambores, caixas, pneus, lonas, calhas, recipientes, máquinas paradas e depósitos devem ser vistoriados principalmente depois da chuva.
A orientação oficial é eliminar recipientes desnecessários, manter reservatórios tampados e lavar com água e sabão as bordas dos objetos que armazenam água, local em que os ovos podem permanecer aderidos. Quintais, terrenos e calhas também precisam ser limpos regularmente.
Em caso de febre, dor intensa, manchas, vômitos persistentes, sangramento, fraqueza ou outros sintomas, a orientação é buscar atendimento de saúde. Automedicação pode trazer riscos e não substitui avaliação profissional.
O retorno da chuva é importante para o campo, mas também exige uma rotina imediata de inspeção. Pequenos focos próximos a casas, alojamentos e instalações rurais podem manter a transmissão do mosquito.
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