A plataforma X passou a excluir das recomendações da aba Para Você as contas oficiais de candidatos e as publicações feitas por esses perfis quando o usuário ainda não segue a respectiva conta. A medida foi adotada em 14 de agosto e divulgada pelo Tribunal Superior Eleitoral em 10 de setembro.

O filtro foi identificado como Brazil2026ElectionFilter e também foi incorporado ao código aberto do algoritmo, segundo o TSE. A iniciativa integra o plano de conformidade apresentado pelo X e pelo Grok para as Eleições 2026.

A alteração não impede candidatos de publicar nem bloqueia seguidores de receber conteúdo das contas que escolheram acompanhar. O efeito está na recomendação algorítmica para quem ainda não segue o perfil oficial.

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A regra também não vale automaticamente para Instagram, Facebook, TikTok, YouTube ou outras plataformas. Cada empresa apresentou medidas próprias e possui funcionalidades, políticas e sistemas de recomendação diferentes.

O que muda para a campanha local

Candidaturas que dependiam da aba Para Você para alcançar novos públicos pelo perfil oficial podem enfrentar menor descoberta orgânica no X. Isso torna mais importantes o compartilhamento voluntário, a busca direta pelo perfil, o debate público produzido por terceiros e a cobertura jornalística.

A mudança não autoriza redes coordenadas, contas falsas ou automação artificial para compensar a perda de recomendação. O plano informado ao TSE prevê aplicação de regras contra identidades falsas, disparos em massa e atividades coordenadas inautênticas.

Anúncios políticos continuam proibidos no X no Brasil, segundo o documento. A restrição alcança publicidade relacionada a eleições, candidatos e partidos, inclusive conteúdo que peça votos ou apoio financeiro para campanhas.

Conteúdo de apoiadores exige cautela

Uma publicação de eleitor, influenciador ou veículo de comunicação não se transforma automaticamente em conteúdo oficial de candidato. Entretanto, pagamentos, coordenação, impulsionamento, produção encomendada e relação com a campanha podem alterar o enquadramento jurídico.

Publicidade eleitoral precisa observar identificação, período permitido, regras sobre impulsionamento e prestação de contas. Apoio espontâneo é diferente de ação contratada ou organizada pela candidatura.

Para veículos jornalísticos, a mudança reforça a importância de separar cobertura, opinião e propaganda. Entrevistas, debates e análise de propostas devem aplicar critérios editoriais identificáveis, sem prometer alcance ou tratamento privilegiado em troca de benefício.

Desinformação e canais prioritários

O X informou ter identificado riscos como informações enganosas sobre quando, onde ou como votar, intimidação de eleitores, violência política de gênero e uso de identidades falsas. Casos considerados graves deverão receber prioridade nos fins de semana do primeiro e do segundo turno.

Denúncias poderão chegar por usuários, candidaturas, decisões judiciais e pelo Sistema de Alertas de Desinformação Eleitoral. A existência de canal prioritário não significa remoção automática: cada ocorrência deve ser analisada segundo a legislação, as ordens aplicáveis e as políticas informadas.

Para o eleitor, a consequência prática é simples: a aba Para Você não representa uma amostra completa dos candidatos. Conhecer as opções exige consulta ativa a fontes oficiais, planos de governo, debates e veículos que deixem claros os critérios de cobertura.

Reportagem em acompanhamentoEsta publicação poderá ser atualizada conforme a apuração avançar.