O custo de produção da soja em Rio Verde foi estimado em R$ 5.602,89 por hectare na safra 2025/26. Segundo análise da Secretaria de Agricultura de Goiás com base em dados da Conab, esse é o segundo maior valor da série histórica considerada.

O número ajuda a explicar por que produtividade elevada não significa, necessariamente, margem confortável. A safra goiana caminha para um dos maiores volumes já registrados, mas o produtor enfrenta gastos relevantes com fertilizantes, defensivos, sementes, máquinas, mão de obra, financiamento e operações de campo.

A comparação com o ciclo de maior custo

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O custo atual ficou abaixo apenas do observado na safra 2023/24. Naquele período, porém, a cotação média indicada pela análise estadual era de R$ 150,70 por saca, acima das referências observadas para a temporada atual.

A diferença entre preço e custo altera o ponto de equilíbrio. Quando a saca vale menos, a propriedade precisa vender um número maior de sacas por hectare para cobrir as despesas. Esse cálculo deve considerar não apenas o custo operacional divulgado em levantamentos públicos, mas também arrendamento, custo financeiro, armazenagem, frete, tributos e despesas próprias de cada fazenda.

O que o produtor precisa calcular

O valor de R$ 5.602,89 por hectare é uma referência técnica para Rio Verde, não uma conta individual. Cada produtor deve calcular seu próprio custo, separando despesas desembolsadas, depreciação, remuneração do capital e compromissos financeiros.

O primeiro indicador é o ponto de equilíbrio em sacas por hectare. Para chegar a ele, divide-se o custo total pelo preço líquido esperado da saca, já descontadas despesas de comercialização. Em seguida, o resultado deve ser comparado com a produtividade provável e com os volumes já vendidos.

Também é importante simular cenários. Uma queda de preço, uma redução de produtividade ou um aumento no frete pode transformar uma margem aparentemente positiva em prejuízo. Da mesma forma, travas comerciais, barter e vendas antecipadas precisam ser analisadas junto com custos, garantias e obrigações contratuais.

Comercialização ganha peso

A Seapa destaca a diversificação das estratégias de comercialização como forma de reduzir riscos. Isso pode envolver vendas escalonadas, proteção de preços e definição antecipada de metas de margem.

Nenhuma estratégia elimina o risco. Operações financeiras e contratos futuros exigem conhecimento, limites e acompanhamento. O produtor deve entender condições de entrega, ajustes, garantias, prazos e consequências do descumprimento antes de contratar.

O custo de produção também deve orientar a decisão de armazenar. Esperar um preço melhor pode fazer sentido, mas armazenagem, juros e risco de mercado precisam entrar na conta.

Impacto regional

Rio Verde é uma das principais referências do agronegócio goiano. Quando a margem da soja fica apertada, os efeitos alcançam fornecedores de insumos, transportadores, armazéns, prestadores de serviço, comércio e arrecadação.

A discussão não é apenas sobre produzir mais. O desafio da safra 2025/26 é transformar produtividade em resultado econômico e preservar capacidade de investimento para o próximo ciclo.

Antes de fechar compras ou vendas, o produtor deve atualizar a planilha de custos com valores da própria propriedade e trabalhar com preço líquido, não apenas com a cotação divulgada. A referência de R$ 5.602,89 por hectare funciona como alerta: em uma safra cara, decisões de comercialização e controle financeiro pesam tanto quanto o desempenho da lavoura.

Reportagem em acompanhamentoEsta publicação poderá ser atualizada conforme a apuração avançar.