A condição das lavouras de milho e soja dos Estados Unidos piorou na semana encerrada em 23 de agosto e passou a exigir atenção do mercado internacional de grãos. O relatório Crop Progress, divulgado nesta segunda-feira, 24, pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), mostrou recuo nos percentuais classificados como bons ou excelentes.
No milho, 57% das lavouras estavam em condição boa ou excelente. Na semana anterior, eram 60%. No mesmo período de 2025, o índice alcançava 71%.
Na soja, 60% das áreas foram avaliadas como boas ou excelentes, ante 61% uma semana antes e 69% no ano passado.
Os números não significam, isoladamente, quebra de safra. A classificação semanal é um indicador de campo e pode mudar conforme chuvas, temperatura, doenças e evolução das plantas. A estimativa final de produção depende também da área colhida e da produtividade efetivamente obtida.
Para o mercado, a comparação com o ano anterior chama atenção. O milho aparece 14 pontos percentuais abaixo da condição boa ou excelente registrada em 2025. Na soja, a diferença é de nove pontos.
Os Estados Unidos estão entre os maiores produtores e exportadores mundiais das duas commodities. Mudanças na expectativa de produtividade podem influenciar contratos negociados em Chicago, prêmios de exportação e decisões de compradores internacionais.
Esse efeito, porém, não é automático nem linear para o produtor do Sudoeste Goiano. O preço recebido em Rio Verde, Jataí ou Mineiros também depende do câmbio, da demanda chinesa, da safra brasileira, dos estoques, do frete, dos prêmios nos portos e das condições comerciais de cada praça.
Na consulta feita pelo monitor do Sudoeste em Campo em 25 de agosto, a soja em Rio Verde aparecia a R$ 130 por saca de 60 quilos e o milho a R$ 57, com referência da Comigo reproduzida pelo Notícias Agrícolas. Cotações variam ao longo do dia e devem ser confirmadas antes de qualquer negociação.
O relatório do USDA funciona, portanto, como uma peça do quebra-cabeça. Uma piora persistente pode reduzir expectativas de oferta e dar sustentação aos preços internacionais. Chuvas favoráveis, revisão de área, demanda mais fraca ou estoques elevados podem produzir o efeito contrário.
Para produtores que planejam venda antecipada, barter ou fixação de preço, o cuidado principal é não transformar um único boletim em previsão definitiva. A estratégia deve considerar custo de produção, necessidade de caixa, compromissos já assumidos e tolerância ao risco.
O USDA publica o Crop Progress semanalmente durante o ciclo agrícola. As próximas leituras mostrarão se a perda de qualidade foi pontual ou se a diferença em relação a 2025 continuará aumentando.
SUDOESTE EM CAMPO