O candidato à Presidência da República Augusto Cury, do Avante, afirmou que pretende buscar recursos estrangeiros para ampliar o crédito rural e reduzir as taxas cobradas dos produtores. As declarações foram dadas em entrevista ao Canal Rural e ao Bom Dia Mercado na noite de segunda-feira, 24 de agosto.
Cury foi o primeiro participante de uma série de entrevistas sobre agronegócio e economia. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, o pedido de registro de sua candidatura foi apresentado dentro do prazo das Eleições 2026. O registro ainda está sujeito à análise da Justiça Eleitoral, como ocorre com os demais pedidos.
Na entrevista, o candidato disse que gostaria de atrair ao menos US$ 200 bilhões de fundos internacionais, com proteção cambial e garantias, para oferecer crédito ao setor em faixa de 4% a 6% ao ano. Também classificou o atual Plano Safra como insuficiente e defendeu maior cobertura de seguro rural.
As afirmações são propostas de campanha, não linhas de crédito já disponíveis. Para saírem do discurso, exigiriam definição da origem dos recursos, custo das garantias, tratamento do risco cambial, critérios de acesso, impacto fiscal e participação de bancos e órgãos reguladores.
Cury relacionou os juros altos ao endividamento do produtor e defendeu responsabilidade fiscal para reduzir a taxa básica da economia. Disse ainda que pretende duplicar a produção brasileira de alimentos e grãos, chegando a 700 milhões de toneladas em dez anos, e ampliar a industrialização da produção no país.
O candidato também falou em formação de mão de obra, investimentos em etanol, proteína animal, horticultura e fruticultura. Não apresentou, na entrevista, cronograma detalhado, estimativa orçamentária ou metas anuais para cada medida.
Outro ponto citado foi a criação de mandatos para ministros do Supremo Tribunal Federal. Uma mudança desse tipo não pode ser feita unilateralmente pelo presidente da República: depende de alteração constitucional discutida e aprovada pelo Congresso Nacional, respeitadas as regras do processo legislativo e a independência entre os Poderes.
Para o eleitor do campo, a diferença essencial é separar intenção, instrumento e execução. O valor anunciado de capital externo não equivale a dinheiro contratado; a taxa desejada não é automaticamente a taxa final ao produtor; e metas de produção dependem de clima, preços, infraestrutura, tecnologia e demanda.
O Sudoeste em Campo acompanhará as entrevistas dos demais candidatos e confrontará as promessas com os planos registrados, o orçamento público e as competências legais de cada cargo. A publicação desta reportagem tem caráter informativo e não representa apoio eleitoral.
SUDOESTE EM CAMPO