A inadimplência da população rural brasileira chegou a 8,8% no primeiro trimestre de 2026, segundo estudo divulgado pela Serasa Experian. O índice subiu 1,2 ponto percentual em relação ao mesmo período de 2025 e 0,6 ponto percentual na comparação com o trimestre anterior.
O indicador considera dívidas de pessoas físicas da população rural vencidas há mais de 180 dias e até cinco anos, com valor acumulado mínimo de R$ 1 mil e relacionadas ao financiamento ou às atividades do agronegócio. A base reúne 10,7 milhões de pessoas identificadas por registros rurais, Cadastro Positivo ou atividade de produtor rural.
O recorte regional mostra diferenças relevantes. O Norte apresentou a maior taxa, de 13,2%, seguido pelo Nordeste, com 10,2%, e pelo Centro-Oeste, com 10,1%. Sudeste e Sul registraram 7,3% e 6,2%, respectivamente.
Para Goiás, o dado mais próximo divulgado no texto oficial é o do Centro-Oeste. A taxa regional ficou 1,3 ponto percentual acima da média brasileira. Isso funciona como sinal de atenção para bancos, cooperativas, fornecedores e produtores, mas não permite concluir que 10,1% dos produtores goianos estejam inadimplentes, porque o percentual reúne todos os estados da região.
Entre as unidades da Federação, as maiores taxas informadas pela Serasa foram registradas no Amapá, com 21,2%, no Amazonas, com 15%, e em Roraima, com 14,4%. Esses números substituem percentuais divergentes que circulam em artes não oficiais nas redes sociais.
O estudo também identificou diferença conforme o porte. Pequenos produtores apresentaram taxa de 8,3%; médios, de 8,6%; e grandes, de 9,9%. Pessoas sem informação de registro rural, grupo que pode incluir arrendatários e integrantes de grupos familiares ou econômicos, chegaram a 11%.
Outro sinal de maior pressão financeira foi a queda do Agro Score médio. A pontuação passou de 606 no primeiro trimestre de 2025 para 591 no mesmo período de 2026. A redução indica percepção de risco mais elevada, mas não substitui a análise individual da capacidade de pagamento.
Inadimplência também não significa necessariamente falta de capacidade produtiva. Oscilações de preços, custos de insumos, perdas de safra, descasamento entre vencimentos e recebimentos, restrição de crédito e garantias comprometidas podem pressionar o caixa mesmo em propriedades com produção relevante.
Antes de renegociar, é recomendável organizar contratos, cronograma completo das dívidas, fluxo de caixa, custos de produção, comprovantes de perdas, seguros, garantias, vendas já contratadas e projeção realista das próximas safras. A nova parcela precisa caber no ciclo de geração de receita da propriedade.
O percentual divulgado é um indicador agregado e não prova inadimplência de qualquer produtor específico. Da mesma forma, não deve ser usado isoladamente para negar crédito ou presumir incapacidade financeira. Decisões responsáveis exigem documentos atualizados, histórico, atividade, localização, risco climático e capacidade produtiva futura.
SUDOESTE EM CAMPO