Paraúna aparece entre os principais municípios brasileiros na produção de feijão de terceira safra. O município do Sudoeste Goiano ocupa a 13ª posição no ranking nacional desse ciclo, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística reunidos pela Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Goiás (Seapa) no Agro em Dados de agosto de 2026.

O levantamento também coloca Jussara na 10ª posição e Luziânia na 12ª. O recorte ajuda a dimensionar a importância da produção irrigada goiana: Goiás é o maior produtor brasileiro de feijão de terceira safra e deve colher 176,5 mil toneladas nesse ciclo em 2025/26. O volume corresponde a 58,5% de todo o feijão projetado para o estado.

No conjunto das três safras, a estimativa para Goiás é de 301,6 mil toneladas cultivadas em 127 mil hectares. A produtividade média prevista, de 2,4 toneladas por hectare, é o dobro da média nacional estimada em 1,2 tonelada por hectare. O estado também figura como o segundo maior produtor de feijão cores, com 266,1 mil toneladas.

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Mais municípios na atividade

A cultura do feijoeiro esteve presente em 91 municípios goianos em 2024, ante 81 no ano anterior. A expansão de 12,3% mostra que a produção se distribui por mais áreas, embora a liderança estadual permaneça com Cristalina, responsável por 13,4% do volume colhido em Goiás e sexta colocada no ranking brasileiro.

Paraúna se destaca especificamente na terceira safra, uma produção que depende de planejamento de irrigação, janela adequada e controle sanitário. O tempo seco tem favorecido a colheita e a qualidade dos grãos nas principais áreas produtoras, enquanto temperaturas mais amenas e maior amplitude térmica beneficiam as lavouras irrigadas, segundo o monitoramento da Conab citado pela Seapa.

VBP cresce, mas não é lucro

O Valor Bruto da Produção (VBP) do feijão em Goiás está estimado em R$ 1,8 bilhão em 2026, avanço de 36,1% na comparação com 2025. Se a projeção se confirmar, será o melhor resultado desde 2022 e representará 13,2% do VBP nacional da cultura.

O indicador, porém, mede o valor da produção dentro da porteira a partir de volume e preços. Não equivale ao lucro do produtor e não desconta irrigação, energia, sementes, defensivos, mão de obra, arrendamento, armazenagem, tributos nem custo financeiro.

As cotações mostram essa volatilidade. A média do feijão carioca de notas 8 e 8,5 no Leste Goiano chegou a R$ 386,45 por saca de 60 quilos em maio. Em julho, recuou para R$ 309,38, queda mensal de 14,1%, embora ainda acima do patamar observado no mesmo período de 2025.

Mercado e sanidade

No primeiro semestre de 2026, as exportações goianas de feijão cresceram 10,4% em valor e 15,7% em volume. A Índia, principal destino no período, ampliou em 75,1% o volume comprado. Em junho, a Lei estadual nº 24.363/2026 reduziu de 6,06% para 2,4% a carga efetiva de ICMS nas operações interestaduais com feijão in natura, com vigência prevista de cinco anos.

O avanço econômico exige atenção sanitária. A Agrodefesa informa que o mosaico dourado, transmitido pela mosca-branca, pode provocar perdas de até 100% em áreas severamente afetadas. Entre as obrigações estão o cadastro das lavouras, a semeadura entre 21 de outubro e 30 de junho, o vazio sanitário anual de 20 de setembro a 20 de outubro nos municípios abrangidos pela regulamentação e a eliminação de restos culturais.

Para o produtor, o retrato combina oportunidade e cautela: Paraúna está entre os polos nacionais da terceira safra, mas preço, custo de irrigação, qualidade do lote e sanidade continuam determinando o resultado efetivo de cada propriedade.

Reportagem em acompanhamentoEsta publicação poderá ser atualizada conforme a apuração avançar.