O mercado de defensivos agrícolas para a segunda safra de milho movimentou R$ 15,4 bilhões em 2026, aumento de 13% sobre os R$ 13,7 bilhões do ciclo anterior. O investimento médio na proteção do cultivo passou de R$ 794 para R$ 887 por hectare, alta de 12%.
Os dados são do FarmTrak Milho Safrinha 2026, levantamento da Kynetec Brasil divulgado nesta quinta-feira, 3 de setembro. A pesquisa reuniu quase 2,3 mil entrevistas presenciais com produtores, gestores e tomadores de decisão, cobrindo 17,4 milhões de hectares, equivalentes a 95% da área oficial considerada pela consultoria.
O dado chama atenção para Goiás e para o Sudoeste Goiano porque milho, soja e defensivos ocupam parcela relevante do orçamento da safra. Mas o valor de R$ 887 por hectare é uma média nacional do levantamento. Não deve ser tratado como custo recomendado, limite contratual ou referência automática para uma propriedade específica.
Área cresceu 1%; intensidade de manejo, quase 8%
Segundo a Kynetec, a área cultivada nas regiões avaliadas aumentou apenas 1% e ficou próxima de 17,4 milhões de hectares. A expansão do mercado ocorreu principalmente dentro da área já plantada.
O número médio de tratamentos passou de 17,7 para 19,1, crescimento de aproximadamente 7,9%. A chamada área potencial tratada alcançou 425 milhões de hectares, 8% acima do período anterior.
Área potencial tratada não significa que o país plantou 425 milhões de hectares de milho. O indicador soma as áreas alcançadas em cada tratamento ou aplicação. Se o mesmo talhão recebe operações diferentes ao longo do ciclo, ele aparece mais de uma vez nessa medida.
O custo médio por tratamento também subiu, de R$ 43,10 para R$ 44,90 por hectare. Assim, a combinação de maior intensidade de manejo e recuperação de preços dos produtos elevou o investimento total.
Lagartas, doenças e plantas resistentes
O levantamento apontou forte crescimento no mercado de inseticidas destinados ao controle de lagartas, de R$ 1,64 bilhão para R$ 2,60 bilhões, alta de 58%.
Nos fungicidas, produtos classificados pela consultoria como premium passaram de 50% para 63% de adoção nas lavouras pesquisadas. O investimento nesse segmento foi de R$ 1,38 bilhão para R$ 1,92 bilhão.
Entre os herbicidas, a adoção de produtos de amplo espectro avançou de 31% para 44%. A consultoria relacionou o movimento à dificuldade de controle de gramíneas como capim-pé-de-galinha e capim-amargoso.
Os números mostram maior pressão e complexidade de manejo, mas não demonstram que todo produtor deveria ampliar aplicações. Decisão agronômica depende do talhão, do híbrido, do histórico de pragas e doenças, do clima, do nível de dano econômico e da estratégia de resistência.
Mais gasto não garante mais produtividade
O crescimento do mercado mede valor comercializado. Não mede sozinho eficiência, rentabilidade ou resultado agronômico.
Uma operação pode gastar mais porque enfrentou pressão maior, precisou corrigir falha de manejo, usou produtos de maior valor ou realizou mais aplicações. Outra pode gastar menos por prevenção bem planejada, tecnologia genética, controle biológico, rotação ou condições climáticas diferentes.
Por isso, comparar apenas o desembolso por hectare pode induzir a decisões equivocadas. O indicador mais útil combina custo, alvo controlado, nível de infestação, momento de aplicação, produtividade preservada e margem final.
Documentação protege a lavoura e a operação
O uso de defensivos deve seguir recomendação agronômica, produto autorizado, dose, alvo, intervalo e condições de aplicação. Além do manejo técnico, a propriedade precisa manter registros coerentes.
Entre os documentos relevantes estão receituários, notas fiscais, registros de estoque, fichas de aplicação, condições meteorológicas, identificação do talhão, dose utilizada, equipamento, operador e destinação das embalagens vazias.
Esses registros ajudam a:
• avaliar eficiência e custo por aplicação; • demonstrar o manejo em auditorias e certificações; • comprovar a destinação do financiamento; • analisar sinistros de seguro ou Proagro; • responder a questionamentos trabalhistas, ambientais ou comerciais; • renegociar contratos ou dívidas com base em custos efetivos.
Compra do produto também exige cuidado contratual
Com o aumento do investimento, condições comerciais ganham peso. O produtor deve conferir especificação, concentração, quantidade, validade, prazo e local de entrega, possibilidade de substituição, preço fixo ou indexado, forma de pagamento, garantia e responsabilidade pelo atraso.
Pagamento antecipado ou entrega futura precisam estar amparados por contrato e por fornecedor capaz de cumprir a janela agronômica. Produto comprado que chega depois do momento técnico pode perder parte de sua utilidade, mesmo que o preço tenha sido atrativo.
Também é recomendável separar bonificação comercial de recomendação agronômica. A escolha do produto e do programa de manejo deve responder à necessidade do talhão, não apenas à condição de venda.
Checklist para o milho em Goiás
Antes de fechar o orçamento da safrinha, confira:
• custo real por talhão e por hectare; • histórico de pragas, doenças e plantas resistentes; • recomendação e receituário agronômico; • rotação de mecanismos de ação; • registros de aplicação e resultado; • prazo, qualidade e garantia do fornecedor; • notas fiscais, estoque e devolução de embalagens; • impacto do manejo no fluxo de caixa e na margem.
O avanço de 13% no mercado é um alerta de custo e complexidade. Para o produtor, a resposta mais segura não é simplesmente aplicar mais, mas medir, justificar e documentar melhor cada decisão.
Fonte: FarmTrak Milho Safrinha 2026, Kynetec Brasil, divulgado em 3/9/2026 pelo Notícias Agrícolas.
Nota editorial: os números são nacionais e não representam recomendação técnica para Goiás ou para uma propriedade específica. Toda aplicação depende de orientação agronômica e das regras vigentes.
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