Goiás deve colher 199,7 mil toneladas de laranja em 2026, o maior volume da série estadual considerada pelo boletim Agro em Dados. A projeção coloca o Estado na oitava posição entre os maiores produtores do país e reforça sua condição de nova fronteira para laranja, mexerica e limão.

O avanço ocorre enquanto o greening, também chamado de Huanglongbing ou HLB, pressiona áreas tradicionais de São Paulo e Minas Gerais. Solo, clima e possibilidade de expansão atraem produtores para Goiás, mas o recorde de produção não significa rentabilidade garantida.

Reportagem do Sistema Faeg/Senar/Ifag, publicada em 4 de setembro, reúne produtores e representantes do setor que descrevem um mercado com preços comprimidos, alto custo de implantação, necessidade de irrigação, falta de mão de obra e riscos sanitários.

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Caixa a R$ 25 e custo de até R$ 42

O presidente da Associação Goiana dos Citricultores, Fábio Augusto Soares, afirmou que, há cerca de um ano e meio, produtores vêm vendendo a caixa de laranja por aproximadamente R$ 25, enquanto o custo chegaria a R$ 40 ou R$ 42.

Esses valores são um relato setorial reproduzido pela Faeg e não uma média oficial de todas as propriedades goianas. O custo varia conforme idade do pomar, irrigação, produtividade, mão de obra, distância do mercado, padrão da fruta e estrutura de comercialização.

A fala revela, no entanto, a contradição central: a produção estadual cresce enquanto parte dos citricultores enfrenta receita abaixo do custo informado.

Segundo o representante da Agocitros, Goiás possui cerca de 11 mil a 12 mil hectares de citros. A distância de grandes indústrias de suco empurra boa parte da produção para o mercado in natura, que teria ficado saturado depois de novos plantios motivados pelos preços elevados de anos anteriores.

Do campo ao supermercado

O mesmo relato aponta outra diferença relevante. A fruta sairia da propriedade entre R$ 0,60 e R$ 0,70 por quilo e chegaria ao supermercado por R$ 4 ou R$ 5. Essa comparação não representa margem líquida do varejo: entre a fazenda e a gôndola existem classificação, seleção, perdas, embalagem, transporte, armazenamento, tributos e remuneração de agentes da cadeia.

Ainda assim, a distância entre o preço na origem e o preço ao consumidor reforça a necessidade de contratos claros e de organização comercial. Venda direta, classificação própria, regularidade de entrega e canais regionais podem melhorar o fluxo de caixa, mas exigem escala, logística, padrão e gestão.

Greening não tem cura

O HLB é considerado a principal doença da citricultura mundial. Ele provoca maturação irregular, queda prematura, perda de produtividade e enfraquecimento progressivo das plantas. Também preocupam o cancro cítrico, a clorose variegada e a gomose.

A Agrodefesa mantém vigilância, fiscalização do trânsito de material vegetal e inspeção de viveiros. A reportagem informa cadastro de 533 citricultores em 562 propriedades nos dados de 2025/2026. A compra de mudas precisa observar origem regular e requisitos fitossanitários. Material barato e sem rastreabilidade pode introduzir risco capaz de comprometer todo o pomar.

Antes de plantar, feche a conta completa

A citricultura pode ser alternativa de diversificação, inclusive para propriedades menores, mas o retorno demora. A planta precisa formar copa e estrutura antes de alcançar produção comercial. Irrigação e manejo durante todo o ano aumentam a necessidade de capital.

O plano de investimento deve considerar: • origem e sanidade das mudas; • disponibilidade e regularidade do uso da água; • energia, manutenção e custo da irrigação; • período sem receita até a produção comercial; • assistência técnica e manejo fitossanitário contínuo; • mão de obra para colheita e classificação; • comprador, padrão exigido, embalagem e frequência de entrega; • preço líquido depois de perdas, frete e comissão; • cláusulas de qualidade, rejeição, prazo de pagamento e volume.

O recorde estadual mostra oportunidade. A caixa vendida abaixo do custo relatado mostra o risco. A decisão de entrar ou ampliar a área de citros precisa combinar mercado, sanidade, água, contrato e capital de giro — e não apenas a produtividade possível do pomar.

Imagem editorial original gerada por inteligência artificial para o Sudoeste em Campo.

Reportagem elaborada em 7 de setembro de 2026 com base em dados divulgados pelo Sistema Faeg/Senar/Ifag e no boletim Agro em Dados da Seapa-GO.

Reportagem em acompanhamentoEsta publicação poderá ser atualizada conforme a apuração avançar.