As exportações do agronegócio brasileiro alcançaram US$ 16,34 bilhões em julho de 2026, recorde para o mês e alta de 5,4% em relação a julho do ano passado. As importações somaram US$ 1,75 bilhão, e o saldo comercial do setor ficou positivo em US$ 14,59 bilhões, crescimento interanual de 6,5%.
Os números constam do Relatório de Acompanhamento Mensal do Comércio Exterior da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), divulgado pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) com base em dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e do ComexStat.
De janeiro a julho, o agro exportou US$ 103,39 bilhões, aumento de 6% sobre o mesmo período de 2025. As importações recuaram 1,4%, para US$ 11,71 bilhões, e o superávit acumulado chegou a US$ 91,68 bilhões.
Soja puxa o avanço
A soja em grão foi o principal produto da pauta agropecuária no mês, com US$ 5,87 bilhões em embarques e crescimento de 17,4%. O resultado importa diretamente para uma região produtora e exportadora como o Sudoeste Goiano, mas o dado é nacional e não permite atribuir a alta de julho a um município específico sem a abertura municipal do ComexStat.
Outros produtos também cresceram: celulose, 30,8%; farelo de soja, 28,6%; carne de frango in natura, 33,9%; algodão, 27,2%; e óleo de soja bruto, 184,3%, chegando a US$ 370,2 milhões.
O desempenho mostra que a expansão não ficou restrita ao grão. Ela alcançou cadeias de processamento, proteína animal e fibras, setores conectados à base produtiva, às agroindústrias, aos armazéns e à logística do Centro-Oeste.
Duas estatísticas, recortes diferentes
O MDIC informou que as exportações totais brasileiras atingiram US$ 34,12 bilhões em julho, alta de 6,2%, enquanto as importações chegaram a US$ 27,08 bilhões. A balança comercial do país teve superávit de aproximadamente US$ 7,05 bilhões.
Na classificação setorial mais restrita usada pelo MDIC, chamada “Agropecuária”, as exportações foram de US$ 7,82 bilhões. Esse número não contradiz os US$ 16,34 bilhões do agronegócio: o conceito ampliado do agro inclui também produtos processados e segmentos industriais vinculados ao campo, como carnes, farelos, óleos e celulose.
Conexão com Goiás
O novo dado é nacional, mas se soma a um cenário estadual relevante. No primeiro semestre de 2026, Goiás exportou US$ 7,06 bilhões em todos os setores e registrou superávit de US$ 4,21 bilhões, conforme dados já analisados pelo Sudoeste em Campo. Rio Verde respondeu por 26,7% das vendas externas goianas no período, e Jataí ocupou a segunda posição entre os municípios exportadores do estado.
Isso não significa que o desempenho municipal de julho tenha repetido automaticamente o resultado semestral. Para essa conclusão, seria necessário consultar a série municipal mais recente por produto e destino. O que os números nacionais mostram é a manutenção de uma demanda externa forte por cadeias nas quais Goiás e o Sudoeste Goiano têm presença relevante.
O que observar daqui para frente
Para o produtor, recorde de exportação não se converte integralmente em renda dentro da porteira. Câmbio, prêmio de exportação, frete, capacidade de armazenagem, custos portuários, qualidade, contratos, hedge e preços internacionais interferem na formação da receita.
Os próximos indicadores a acompanhar são o ritmo de embarques da soja no fim da temporada, a demanda por farelo e óleo, as compras de carne de frango, o comportamento do câmbio e a abertura do ComexStat para Goiás e seus municípios. Esses recortes mostrarão quanto do recorde nacional se refletiu efetivamente na economia regional.
SUDOESTE EM CAMPO