As importações brasileiras de ureia somaram 2,33 milhões de toneladas entre janeiro e julho de 2026, volume aproximadamente 25% inferior às 3,07 milhões de toneladas registradas no mesmo período de 2025. A comparação faz parte do Agroinfo de agosto do Rabobank e ganha importância no planejamento da safra 2026/2027.
A ureia é uma das principais fontes de nitrogênio utilizadas no milho, especialmente na adubação de cobertura. Por isso, a defasagem nas compras externas acende um alerta para a segunda safra, que concentra parcela expressiva da produção brasileira e tem forte presença em Goiás.
O fosfato monoamônico, conhecido como MAP, também apresentou atraso. Levantamentos divulgados a partir do relatório indicam queda próxima de 21% nas importações do produto. O Rabobank mantém a projeção de 45,1 milhões de toneladas de fertilizantes entregues ao consumidor final no Brasil ao longo de 2026.
## Importação menor não significa falta automática
Os números precisam ser interpretados com cuidado. A redução do volume importado em determinado período não demonstra, isoladamente, que o produto já esteja indisponível no mercado interno.
Estoques formados anteriormente, compras realizadas por distribuidores, produtos em trânsito, substituição entre fontes nutricionais e diferenças regionais podem alterar a disponibilidade efetiva. O preço internacional também pode recuar ao mesmo tempo em que permanecem riscos de logística ou concentração das entregas.
Para o produtor, o ponto central não é apenas acompanhar uma cotação média. É saber se o produto necessário estará disponível na região, na formulação correta e dentro da janela agronômica de utilização.
## Milho safrinha concentra a preocupação com nitrogênio
No sistema predominante no Sudoeste Goiano, o milho de segunda safra é implantado logo após a colheita da soja. O calendário curto torna o planejamento de insumos especialmente sensível a atrasos.
Se a ureia chegar depois do momento adequado para a aplicação, uma diferença de preço aparentemente favorável pode perder relevância diante do risco agronômico. Também existe o custo financeiro de antecipar compras sem garantia suficiente de entrega ou de qualidade.
A definição da fonte de nitrogênio, da dose e do momento de aplicação deve ser técnica. Substituir produtos sem recomendação agronômica pode alterar eficiência, volatilização, necessidade operacional e custo por unidade efetivamente aproveitada pela cultura.
## Contrato precisa detalhar produto e entrega
Na compra de fertilizantes, a proposta comercial deve identificar produto, formulação, especificações técnicas, quantidade, local de entrega e data-limite. Se o preço for indexado ao dólar, a regra de conversão e o momento de fixação precisam estar expressos.
Também devem ser verificadas as consequências do atraso, a possibilidade de substituição do produto, as condições de cancelamento e as garantias oferecidas quando houver pagamento antecipado. Promessas feitas verbalmente pelo vendedor precisam constar do pedido ou do contrato.
O recebimento exige conferência de notas fiscais, lote, embalagem, peso, integridade e registro do produto. Qualquer divergência deve ser documentada imediatamente, antes da aplicação.
## O que fazer na fazenda
Quem já comprou deve confirmar cronograma de entrega, saldo pendente, especificação e local de retirada. Quem ainda vai comprar precisa calcular a necessidade por talhão, comparar custo por unidade de nutriente e avaliar a solidez do fornecedor.
Também é prudente evitar pagamento antecipado sem mecanismo adequado de segurança, manter todas as confirmações por escrito e integrar a compra ao fluxo de caixa da safra. O risco de abastecimento não justifica decisões apressadas sem análise técnica e contratual.
O relatório não prevê falta generalizada de fertilizantes. Ele mostra que o ritmo das importações de ureia e MAP merece acompanhamento, sobretudo para a safrinha de milho de 2027.
SUDOESTE EM CAMPO