Os preços dos ovos iniciaram setembro em recuperação, mas a melhora não foi suficiente para compensar o avanço do milho e do farelo de soja entre julho e agosto. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, o poder de compra do avicultor paulista diante dos dois insumos caiu ao menor patamar desde fevereiro de 2026, em termos reais.
Em agosto, a venda de uma caixa de ovos brancos permitia comprar 128,49 quilos de milho. Para os ovos vermelhos, a relação foi de 128,86 quilos. Os dois volumes ficaram 1,3% abaixo dos registrados em julho.
O indicador do Cepea se refere ao mercado paulista e à relação de troca calculada pela instituição. Como recorte regional complementar, a tabela de cotações divulgada com referência da Conab apontou preço médio de R$ 132 por caixa de 30 dúzias em Goiás, na semana de 24 a 28 de agosto, com variação negativa de 7,04%.
As referências possuem metodologias e períodos diferentes. Por isso, não devem ser comparadas como se fossem uma única série ou utilizadas como preço garantido para qualquer produtor goiano.
Preço maior não significa margem recuperada
A alimentação responde por parcela relevante dos custos da avicultura. Quando milho e farelo avançam mais rapidamente que o preço dos ovos, o produtor perde capacidade de compra mesmo que a caixa esteja nominalmente mais valorizada.
A margem efetiva depende de vários componentes:
- quantidade e preço efetivamente recebidos; - consumo e conversão alimentar; - custo do milho, do farelo e dos demais ingredientes; - energia, aquecimento, refrigeração e água; - mão de obra e assistência técnica; - sanidade, medicamentos e descarte; - embalagem, classificação e transporte; - mortalidade, quebra e perdas comerciais.
Uma cotação isolada não mostra quanto sobra depois dessas despesas. A propriedade precisa acompanhar custo por ave, por ciclo e por caixa comercializada.
Contratos precisam permitir a conferência da conta
Em contratos de fornecimento, integração ou comercialização, a remuneração deve ser analisada junto com os critérios de classificação, bonificação, descontos e responsabilidades por insumos.
É importante verificar quem fornece a ração, os medicamentos e as embalagens; qual índice será utilizado nos reajustes; como são calculadas mortalidade, descarte e devolução; e quais documentos acompanham a liquidação.
Demonstrativos, notas fiscais, registros de lotes, pesagens, classificações, consumo e mensagens comerciais devem ser preservados. Sem documentação, torna-se mais difícil conferir descontos ou demonstrar a evolução dos custos.
Goiás exige acompanhamento próprio
O dado nacional ou paulista ajuda a enxergar a tendência, mas não substitui as condições de compra e venda observadas em Goiás. Frete, escala, sistema produtivo, fornecedor, comprador e qualidade alteram a remuneração.
Para o produtor, a pergunta relevante não é apenas se o ovo subiu. É quanto cada caixa permite comprar dos insumos necessários e qual margem permanece depois de todos os custos do ciclo.
Imagem editorial original gerada por inteligência artificial para o Sudoeste em Campo. Reportagem elaborada em 4 de setembro de 2026 com base em informações do Cepea e em cotações divulgadas com referência da Conab.
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