Um dia de campo divulgado pela Embrapa apresentou resultados de cultivares de trigo irrigado no Cerrado. Em uma fazenda específica, a cultivar BRS Savana produziu 145 sacas por hectare em 2025. O número chama atenção, mas deve ser lido como resultado de campo, não como média regional ou promessa para outras áreas.

A Embrapa também registra que a BRS 264 já alcançou produtividade de 9,6 toneladas por hectare, com ciclo entre 110 e 120 dias. O desempenho depende de cultivar, época de semeadura, solo, irrigação, fertilidade, sanidade, clima e execução do manejo.

No início de setembro, o Inmet destacou que o regime hídrico determina o desempenho das lavouras no Centro-Oeste. Em Goiás, as áreas remanescentes de trigo eram irrigadas e estavam, em grande parte, próximas da colheita. Isso não elimina riscos: água, energia e operação do sistema precisam ser acompanhadas ao longo de todo o ciclo.

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A escolha da janela também envolve troca de riscos. Plantios antecipados podem elevar a exposição a brusone e manchas foliares. Plantios mais tardios podem aproximar a colheita das chuvas, aumentando o risco de germinação na espiga e perda de qualidade.

Antes do plantio, o produtor deve calcular custo da irrigação, disponibilidade de energia e água, rotação, sementes, fertilizantes, defensivos, secagem, armazenagem e padrão exigido pelo comprador. O preço por tonelada perde sentido se o contrato descontar qualidade, umidade ou prazo.

O dado de 145 sacas mostra potencial técnico. A decisão econômica exige orçamento da própria fazenda e, quando houver venda antecipada, contrato com volume, qualidade, preço, entrega, tolerâncias e consequências do descumprimento claramente definidos.

Reportagem em acompanhamentoEsta publicação poderá ser atualizada conforme a apuração avançar.