Um levantamento divulgado pelo portal Rio Verde Rural reacendeu o debate sobre a qualidade da energia elétrica nas propriedades do Sudoeste Goiano. Mais de 40 produtores de Rio Verde, Jataí e Santa Helena de Goiás responderam à consulta. Entre os participantes, 87,5% relataram prejuízos operacionais e o mesmo percentual considerou excessiva a demora no atendimento e na religação. Outros 75% afirmaram enfrentar quedas ou oscilações semanais, ou com alta frequência durante a safra.

Os relatos incluem queima de motores, paralisação de sistemas de irrigação e interrupções na secagem de grãos. Todos os participantes disseram que a capacidade da rede já limitou algum projeto de expansão e 62,5% afirmaram utilizar ou planejar gerador próprio ou energia solar.

Os números mostram a experiência do grupo ouvido. Como a publicação não apresentou plano amostral nem margem de erro, eles não devem ser tratados como estimativa estatística de todos os produtores da região.

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O que respondeu a Equatorial Goiás

Em nota, a Equatorial Goiás afirmou que os indicadores técnicos de Rio Verde melhoraram desde o início da concessão. Segundo a empresa, o DEC — duração média das interrupções — caiu de 29,06 horas em 2023 para 11,78 horas em 2026, redução de 59,46%. O FEC — frequência média — passou de 12,82 para 5,39 interrupções, recuo de 57,96%.

A concessionária também informou ter investido mais de R$ 65 milhões em Rio Verde desde 2023, abrangendo áreas urbanas e rurais, com novos circuitos, automação e manutenção. A empresa pediu o compartilhamento das unidades consumidoras e dos casos individualizados para análise técnica e declarou que pedidos de expansão de carga dependem da capacidade da rede, das obras necessárias e das responsabilidades previstas na regulação.

A média pode melhorar e a propriedade continuar com problema

Não há contradição automática entre a queda de DEC e FEC e a persistência de reclamações. A Agência Nacional de Energia Elétrica explica que os indicadores coletivos são médias de conjuntos de consumidores. Dentro do mesmo conjunto, algumas unidades podem sofrer mais interrupções do que outras. Por isso também existem indicadores individuais, como DIC e FIC.

Para o produtor, a conclusão prática é simples: o número médio ajuda a avaliar a concessão, mas a cobrança de solução ou de reparação depende da prova do que aconteceu em cada unidade.

Como formar a prova do problema

Cada ocorrência deve gerar protocolo. É recomendável registrar número da unidade consumidora, data, horário de início e de normalização, equipamentos afetados, fotografias ou vídeos, laudo técnico, notas fiscais de conserto e documentos que demonstrem a perda produtiva. Relatórios de irrigação, secagem, armazenagem e temperatura podem ajudar a ligar a falha elétrica ao dano alegado.

Oscilação, queima de equipamento, perda de produção e pedido de aumento de carga são assuntos distintos e podem exigir procedimentos diferentes. A Resolução Normativa ANEEL nº 1.000/2021 prevê pedido de ressarcimento por dano elétrico em equipamento. A ANEEL informa prazo de até cinco anos para a solicitação, mas a existência do dano e o nexo com o fornecimento precisam ser analisados.

Se o atendimento inicial não resolver, o consumidor deve recorrer à ouvidoria da distribuidora e, depois, aos canais da ANEEL, sempre guardando os protocolos. Para expansão de carga, a solicitação deve ser formal e acompanhada da demanda projetada, do projeto técnico e do cronograma da atividade.

Indicadores médios em queda são relevantes. Mas, para a fazenda que perde irrigação, motor ou janela de secagem, a resposta precisa chegar à unidade consumidora — e estar documentada.

Reportagem em acompanhamentoEsta publicação poderá ser atualizada conforme a apuração avançar.