As obras da ponte ferroviária da Ferrovia de Integração Centro-Oeste sobre o Rio Araguaia avançaram para a etapa de concretagem das aduelas que iniciam o balanço sucessivo do vão principal. A estrutura integra a FICO 1, ligação de aproximadamente 364 quilômetros entre Mara Rosa, em Goiás, e Água Boa, no leste de Mato Grosso.
O avanço dessa fase foi divulgado em julho pela Construtora Aterpa, responsável pela obra. O método de balanços sucessivos permite que partes do tabuleiro avancem a partir dos apoios sem a necessidade de sustentação permanente dentro do canal navegável do rio.
O projeto executivo aprovado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres prevê uma ponte com cerca de 1,6 quilômetro entre os municípios de Aruanã, no lado goiano, e Cocalinho, em Mato Grosso. O trecho principal terá vão central de 140 metros destinado à navegação, além de 40 vãos adjacentes.
Em visita técnica realizada em 25 de junho, a ANTT informou que a FICO 1 havia alcançado 55,38% de avanço físico e 51,55% de avanço financeiro. A Agência registrou mais de R$ 5,1 bilhões contratados, dentro de um investimento total estimado em R$ 10,7 bilhões para o empreendimento acompanhado.
A construção do trecho Mara Rosa–Água Boa é executada pela Vale como obrigação vinculada à renovação antecipada da concessão da Estrada de Ferro Vitória a Minas. Em Mara Rosa, a nova ferrovia se conecta à Ferrovia Norte-Sul, abrindo uma ligação ferroviária entre o leste de Mato Grosso, Goiás e corredores que alcançam terminais portuários.
A ponte sobre o Araguaia é um dos pontos mais complexos da implantação. Ela faz parte do Pacote 7 do Lote 2 e está localizada aproximadamente entre os quilômetros 226 e 228 do traçado. A travessia também marca a passagem entre as fases goiana e mato-grossense da obra.
Para o agronegócio, a FICO foi planejada como alternativa para transportar grandes volumes de grãos, fertilizantes e outras cargas. A conexão pode ampliar a competição logística e reduzir a dependência de longos percursos rodoviários no corredor atendido, mas os ganhos efetivos dependerão da conclusão das obras, da entrada em operação, dos terminais e das condições comerciais do transporte ferroviário.
O percentual de 55,38% se refere ao conjunto da FICO 1, e não especificamente à ponte. Também não significa que a ferrovia já esteja disponível para tráfego comercial.
Documentos oficiais da ANTT indicam abril de 2028 como prazo para a conclusão das obrigações de investimento do trecho Mara Rosa–Água Boa. Cronogramas de estruturas ou pacotes individuais podem ter datas próprias, mas a abertura da ligação completa depende do avanço de todas as frentes, de testes e das autorizações aplicáveis.
Embora o traçado não passe pelo Sudoeste Goiano, o empreendimento interessa ao estado por integrar a Norte-Sul e reorganizar corredores de escoamento do Centro-Oeste. O impacto sobre fretes e rotas usados por produtores de Rio Verde, Jataí e Mineiros não é automático e deverá ser medido após a operação da nova ferrovia.
SUDOESTE EM CAMPO